Não, não digo mais nada.
As palavras secam no âmago da minha alma.
As nossas músicas ecoam agora,
No sepulcro vazio, do nosso vácuo.
Já não digo nada.
Já não consigo dizer.
A minha garganta congela.
Porque em ti, ela morre de medo.
Porque contigo, ela morre de medo.
Porque por ti, ela morre de medo.
Mas sobretudo porque contigo,
Ela perde a noção de ser,
Por ser algo mais que o próprio ser.
Não te disse o que queria.
Pois agora ergo a voz e a cabeça ao alto,
Para proclamar aqui e agora,
Que não disse o que deveria dizer.
Porquê? (perguntas-me)
(E vou dizer mais alguma coisa…)
Porque agora se me enche o peito de coragem,
O corpo de ousadia, a mente de bravura.
Para te dizer que sem ti não faço sentido,
Sem ti o mundo perde contornos,
Sem ti as cores desvanecem,
Os sons calam-se no silêncio,
E os cheiros perdem-se nos jardins.
Sem ti, meu amor, perco-me.
E sempre que me perco,
Só o teu olhar me devolve
A ânsia e vontade de viver.
Só pelo amor que nutro por ti,
Que me dá o sorriso nos lábios,
O brilho nos olhos doces,
E que me dará, algum dia,
O teu beijo que tanto desejo.